segunda-feira, 14 de julho de 2014

Portão de embarque



  Antes de mais nada você precisa entender uma coisa: não é sobre perfeição. Se fosse sobre isso, todos nós estaríamos fora da jogada. Não é sobre quantas pessoas você levou a Cristo, mas sobre quantas pessoas puderam enxergar a perfeição de Cristo em você, mesmo que sua roupa esteja manchada. Então é bom esquecer toda essa história de que você é definitivamente culpado por algo. A culpa está aí só pra levá-lo a ter uma conversa com Deus. E, talvez, nessa conversa vocês virem bons amigos!

   O aeroporto nunca é o destino de alguém. As pessoas que se movimentam por ele precisam fazer isso para chegarem ao desembarque, mas, antes de qualquer coisa, elas sobem para um lugar mais alto. Quem sabe você tenha medo de altura, ou a pressão faça seu ouvido ficar estranho, a questão é que não há como, simplesmente, anular os reflexos do vôo no ser humano.  Ainda que sua mala pese mais do que 23kg, ainda que você tenha que tirar os sapatos para passar por um detector de metais, ainda que haja turbulência, todos os aviões continuarão tendo que subir, seja pra onde quer que eles forem. A culpa, assim como o aeroporto, serve pra você embarcar numa viagem pro céu, e depois, fazê-lo aterrissar.

    Quem faz da culpa lugar eterno se engana ao pensar que Cristo se importa mais com a sujeira que existe na arquitetura do homem do que com a coragem de chamá-Lo pra uma conversa. Então, quando o próximo vier até você, confessar mais um erro que cometeu, diga que a passagem pro vôo do arrependimento é de graça, e que não precisa de assento marcado. 
   
Paula Macena

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